novo turismo 2017
PORTUGAL
Em 2017, Portugal recebeu pouco menos de um milhão de brasileiros: 971.500 turistas, com um aumento de 288.700 viajantes em relação a 2016 - 42,2% a mais. Os dados oficiais Do Instituto Nacional de Estatística comprovam que em números absolutos, foi o maior incremento entre todos os países. Percentualmente, ficou apenas abaixo da Polônia e da China (43,4% e 43,3%), mas estes partem de bases muito inferiores. Com isso, o Brasil consolida a posição de quinto mercado mais importante em número de hóspedes, ao lado de países mais ricos e próximos – só Reino Unido, Alemanha, França e Espanha levaram mais pessoas a Portugal – e acima de Estados Unidos, Itália, Rússia, Holanda e Canadá, entre outros. Houve mais turistas brasileiros nas ruas de Lisboa, Porto e outras cidades lusas que o total de visitantes da Oceania, África ou Ásia. Em termos de números de dormidas e de receitas, o Brasil fica em sexto lugar, pois a Holanda teve resultado melhor nesses quesitos.
Os brasileiros tem ampliado sua presença em Portugal como turistas muito acima do impressionante crescimento da atividade no país. Entre 2000 e 2017, o número de turistas estrangeiros em Portugal praticamente triplicou – foi de 3,68 milhões para 14,58 milhões, enquanto o fluxo de brasileiros aumentou mais de sete vezes – passou de 126,9 mil turistas para 972.500.
De 2010 para 2011, o turismo brasileiro deu um salto de 21%, em 2012, registrou um aumento de 8%, em 2012, 8,2%, em 2013, cresceu mais 14,5%, em 2014, teve um decréscimo de 7% em 2015, subiu outros14% em 2016 para chegar a impressionantes 42,2% em 2017.
Os brasileiros asseguraram para a economia portuguesa quase 579 milhões de euros, um incremento de 44,7% em relação ao ano anterior. No total, os turistas internacionais deixaram no país mais de 15,1 bilhões de euros – 19,5% mais que em 2016. Ingleses e franceses deram as maiores contribuições, em torno de 2,5 bilhões de euros cada nacionalidade. A balança turística de Portugal (isto é, o resultado entre receitas obtidas com turismo e as despesas dos portugueses no exterior) teve um aumento de 23% no ano passado, alcançando 10,9 bilhões de euros, mais que a Áustria (8,8 bilhões) e pouco menos que Grécia e Itália (12,7 e 14,8 bilhões de euros). A Espanha segue na liderança com um saldo positivo de 20,4 bilhões de euros, seguida pela França (17 bilhões). Alemanha e Reino Unido tiveram resultados negativos, isto é, seus nacionais gastaramm mais em suas viagens ao exterior que as receitas obtidas em seus países com hospedagens, refeições, passeios dos estrangeiros.
A oferta de camas cresceu o dobro acima do aumento do PIB: 5,8%, contra 2,7%. Maior ainda foi o aumento do número total de hóspedes estrangeiros e nacionais (12,9%), resultante de melhores taxas de ocupação. Os hotéis continuam a ser a principal escolha dos viajantes internacionais, mas a segunda modalidade de hospedagem já é o alojamento local, residências adaptadas com até nove quartos, um pequeno negócio com regras específicas. Entre 2015 e 2017, o número desses estabelecimentos mais que duplicou – hoje, são 59 mil.
Os brasileiros passaram em média, 2,33 dias em Portugal, abaixo do tempo médio do conjunto de turistas internacionais (3,21 dias) e quase metade dos ingleses (4,69 dias) ou dos alemães (4,12 dias). Provavelmente, por usarem Lisboa e Porto como portas de entrada para viagens maiores até outros países da Europa.
Ana Mendes Godinho, secretária de Estado de Turismo (o Turismo não tem ministério) lembrou à Folha que os brasileiros tem cada vez mais incluído outras regiões portuguesas em suas viagens: mercado brasileiro cresceu 39% no Alentejo, 60% no Algarve e mais de 140% nos Açores. Ana Mendes credita esses resultados à promoção de Portugal no Brasil - investimento que cresceu 50% nos últimos anos, estando próximo dos 1,5 milhão de euros atualmente. “Ainda recentemente mostrámos no Brasil o “Portugal 360”, um dos maiores eventos sobre Portugal jamais realizados no Rio de Janeiro. Apostamos claramente em mostrar aquilo em que Portugal se está a afirmar internacionalmente: autenticidade com inovação e sofisticação.” Um dos exemplos de inovação é o programa Portugal Stopover, que permite aos turistas brasileiros que vão para a Europa pela TAP passem até cinco noites em Portugal, sem acréscimo no desdobramento das passagens aéreas e com preços especiais nos hotéis.
O governo português aposta suas fichas no crescimento do segmento, um dos esteios econômicos atuais. Nos próximos dez anos quer elevar as receitas para 27 bilhões de euros (mais 73% em relação aos 15 bilhões de 2017). Não será fácil. Dados relativos a 2018, entre janeiro e maio, indicam que os turistas internacionais estão voltando para destinos que tinham sido afetados pela violência e pelo terrorismo. Dados preiminares indical que a percentagem de hóspedes e de dormidas aumentou, mas por causa do turismo interno. Entre os residentes, o aumento das dormidas foi de 3,4%, em comparação com 0,8% dos não-residentes (estrangeiros). Ao Jornal de Notícias, Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve afirmou que os turistas estão voltando a passar o verão na Tunísia, no Egito e na Turquia, que tinham perdido visitantes por causa da escalada da violência.
Em maio de 2018, o Brasil se manteve na condição de um dos mercados emissores de turistas estrangeiros para Portugal com maior crescimento. Naquele mês, os hotéis portugueses contabilizaram 225 mil dormidas de turistas brasileiros, mais 10% do que no mesmo mês do ano passado, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Maio foi o mês em que os brasileiros mais visitaram Portugal em 2018, ficando em sexto lugar ( a Holanda superou o país nesse mês específico).
Até o momento, o verão de 2018 tem sido mais fresco que o do ano passado, apesar da onda de calor dos últimos dias. A preocupação do governo é com os incêndios, que em 2017 deixaram um saldo de 116 mortos. Já houve um evento no sul do país, na serra de Monchique, que deixou 41 feridos e 49 desalojados. O próprio presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu dar o exemplo e passa suas férias nas zonas afetadas em outubro do ano passado. Pela RTP fez um apelo claro: “As pessoas reagiram muito bem, estão a tentar resolver as coisas, na agricultura, na indústria no dia-a-dia. Há um problema que está a recuperar lentamente, que é o turismo. É um processo lento. O meu grande apelo é que aqui se acelere o ritmo.”
HÓSPEDES ESTRANGEIROS EM PORTUGAL
2000 2005 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
TOTAL (MILHÕES) 3,68 5,95 6,683 7,41 7,68 8,62 9,9 11.06 12,56 14,58
BRASIL (MIL) 126,9 177,3 373,8 454,8 494,4 535,7 613,5 598,6 682,8 971,5
HÓSPEDES EM PORTUGAL
2014 2015 2016 2017 17/16 hosp. 17/16%
TOTAL 9904,4 11068,6 12561,4 14589,4 2.028 16,1%
REINO UNIDO 1604.4 1796,5 1999,4 2099,0 996 4,9%
ALEMANHA 1060,8 1225,0 1368.1 1565,9 197,8 14,4%
FRANÇA 1092,8 1270,0 1503,3 1600,2 96,9 6,4%
ESPANHA 1525,7 1660,6 1821,4 1970,9 149,5 8,2%
HOLANDA 461,8 509,12 602,3 617,1 14,8 2,4%
BRASIL 613,5 598,6 682,8 971,5 288,7 42,2%
EUA 388,6 468,2 564,1 790,1 226 40%
ÁSIA 457,1 687.6 687,6 900,1 212,5 30,9%
RECEITA DO TURISMO INTERNACIONAL
2014 2015 2016 2017 2017/16 EST. MÉDIA
TOTAL 10393,9 11362,24 12680,6 15153,36 19,5% 3,21
REINO UNIDO 1748.29 2004,66 2266,8 2591,39 14,3 % 4,69
ALEMANHA 1093,97 1245,99 1482,2 1731,8 16,8% 4,12
FRANÇA 1853,25 1983, 84 2277,3 2482,85 9% 2,89
ESPANHA 1278,21 1447,14 1640,8 1995,71 21,6% 2.34
HOLANDA 431,78 509,12 585,7 637,01 8,7% 4,4
BRASIL 376,51 374,79 399,8 578,83 44,7% 2.33
EUA 490,99 518,27 593,4 812,8 36,9% 2.27
ÁSIA 178,31 223,94 259,5 377.75 45.5% % 1,87
